Nas Bodas de Estanho

Sempre tive, e continuo a ter, dificuldade em imaginar a minha vida daqui a uns anos. As projecções nem sempre ajudam a ter os olhos postos no hoje e se estamos sempre a pensar no que queremos que seja ou no que podia ter sido, sem a capacidade de valorizar o que temos agora, então o tempo vai passar e nunca vamos sentir que somos verdadeiramente felizes. Não é conformismo pensar que a vida é o que é, mas antes uma forma de estar na vida que me tem mostrado que é o caminho certo para a felicidade. Vivemos uma relação de uma vida, cheia de altos e baixos mas que continua a fazer sentido, que nos mantém juntos mesmo com as nossas imperfeições. Que seja um amor da vida toda, para a vida toda.

Aos avós lá de casa

Hoje é dia Mundial dos Avós. São datas especiais que nos levam a pensar sobre o papel destas pessoas nas nossas vidas. Eu tive a sorte de crescer com avós cheias de vida, que viviam na mesma aldeia e que tomavam conta de nós a meias nos meses de verão. Almoço na avó de "cima", jantar na de "baixo". Da avó Natividade tínhamos sempre tudo o que pedíamos, batatas fritas em azeite que só na casa da avó de cima tinha aquele sabor tão especial. Ia connosco ao café e era sempre generosa com as guloseimas, levava-nos à rega e à Tapada cimeira para tratar dos animais, sempre bem-disposta, com vontade que o verão durasse o ano inteiro! A parte preferida era ter companhia para dormir, que entre nós íamos sorteando porque todas queriam dormir com a avó! Já na avó de baixo, a dinâmica era diferente porque sempre imperou a auto-gestão. Fazia-nos crer que tínhamos total liberdade mas pelo meio lá íamos levar as maçãs ao porco ao Vale da Vinha ou buscar os ovos à Eira. As tarefas sucediam-se e os dias passavam uns a seguir aos outros mas sempre diferentes. Sempre na rua, nos campos, com uma ida à barragem ou um banho no tanque nos dias mais quentes. Foram anos seguidos com férias de verão na aldeia das avós que, cada uma à sua maneira, sempre nos fizeram sentir especiais. A maior tristeza era ser só no verão... a distância era dolorosa para elas, que de um dia para o outro deixavam de ter a casa cheia de filhos e netos para voltarem à vida solitária de viúvas da aldeia; mas também para nós, que passávamos o ano a ansiar pela chegada das férias, sempre saudosas dos abraços e beijos entre lágrimas de alegria sempre que chegava o reencontro. Não havia a convivência diária que felizmente as minhas filhas têm a sorte de ter com os meus pais mas a ligação era forte e especial na mesma. Tenho pena que as minhas filhas não tenham conhecido a avó Natividade, que se teria perdido de amores pelas bisnetas e bisnetos e rebentado de orgulho com os olhos azuis da Francisca. Também tenho pena que as minhas filhas, sobrinhas e sobrinhos não conheçam a força de vida da avó Luz - para eles é a avozinha, como tão calorosamente lhe chamam, cuja missão de vida é fazer mantas de croché. Nem lhes passa pela cabeça a quantidade de molhos de mato que lhe passaram pelas costas ou os terrenos que praticamente sozinha cuidava fizesse sol ou chovesse a potes. Tenho mais pena ainda de não terem conhecido os avós paternos, esses sim teriam vibrado com o poder genético do seu querido filho do meio! Tão diferentes entre si mas as duas iguais ao pai. 
Com todos os defeitos e virtudes os avós são insubstituíveis pela herança que representam, pelo património emocional que transportam, pela capacidade de se tornarem outras pessoas, encontrando no papel de avós uma forma de expressarem todo o amor que nem sempre conseguiram expressar enquanto pais. Mas no balanço final, deixando as penas de lado porque a vida é o que é, sei que as minhas filhas, ainda assim e apesar de tudo, são umas sortudas!!! Os meus pais, seus avós, não só fazem parte activa do dia-a-dia como se entregam com todo o amor, disponibilidade e atenção a todos os netos. Saber que preferem jantar nos avós do que em casa ou que entram em histeria quando as deixo ficar a dormir diz tudo. Que esta ligação continue por muitos e longos anos e que o amor, respeito e dedicação continue a ser mútuo e em dobro! Feliz Dia Mundial dos Avós!!!


Parabéns maninha!

Dizem que o aniversário é a altura ideal para resoluções, para novos começos, para mudança de hábitos, para dar início a outros projectos e a diferentes rotinas. Para se cortar com o que nos pesa e abraçar só o que nos faz feliz. Nem sempre se consegue pôr em prática pelas vicissitudes da vida mas tu tens a sorte de começar os 40 anos - logo os 40! - como poucos: com a mudança de casa, com o começo de uma nova vida a 4! Foi um processo muito lento, que sei que muito te desesperou, mas que acabou (como quase tudo na vida) por valer a pena. Tanto pela casa em si, pela localização, pelo espaço, mas sobretudo porque o processo implicou imprevistos que te levaram para mais perto de nós. Voltar a casa dos pais, depois de 20 anos fora, pode ser difícil de encaixar para a maioria mas não para nós, não para ti, a quem a família diz tudo, para quem a família é tudo. 
Cresceste a sentir o peso da responsabilidade da irmã mais velha, um papel que tantas vezes te levou a fazer não o que querias, mas o que devias. Um papel que sempre assumiste com orgulho mas com muito espírito de missão, que nem sempre foi reconhecido, confesso... porque ter o papel de  quem deve dar o exemplo não é fácil! Há coisas que só depois, olhando em retrospectiva, sobretudo depois de ser mãe, percebo o quanto foram importantes, o quanto trabalharam em prol da pessoa que sou hoje. Quero que saibas que valorizo tudo, que te admiro muito e que tens em ti muito que gostava de ter mais em mim mas também quero que saibas que devias, não de agora mas de sempre, conseguir pensar mais em ti - e fazer o que te faz feliz a ti e não aos outros. Se por um lado o papel de irmã mais velha te assenta que nem uma luva, tal como uma 2.ª pele, por outro sei que teve e tem um custo, que se reflecte na pessoa que és, que te moldou a personalidade nem sempre para teu bem. Se não fosses a irmã mais velha terias tido uma adolescência tão feliz e despreocupada quanto foi a da Andreia; terias tido as oportunidades que eu tive de me focar nos meus gostos e interesses sem angústias de maior; terias tido uma infância livre e privilegiada como foi a do João. Nunca saberemos... o que temos como certo hoje é que, graças a tudo o que já foi, somos o que somos hoje.
Sei, sinto, que sou uma privilegiada por te ter nas nossas vidas e por isso quero que saibas, que também sintas, que te amamos muito tal como és, com defeitos e virtudes, com o coração sempre perto da boca, com uma generosidade como já não há e com uma dedicação e capacidade de entrega que nos mantém unidos neste lema que vivemos todos os dias "Um por todos e todos por um". Parabéns querida mana, que sejas para as tuas filhas uma referência e inspiração que és para mim/ para nós! Amo-te muito

A mãe disse

Não tem estado propriamente calor e para quem sai de casa antes das 8h com destino à praia, menos ainda. Vestiram fatos de banho, os vestidos e a seguir os casacos. Expliquei que não ia ser um dia de muito calor por isso depois da praia, quando fossem para o parque, o melhor seria voltar a vestir os casacos. A mensagem foi igual para as duas, já do resultado... não posso dizer o mesmo.


P.S. Durante a tarde não esteve assim tanto frio, sobretudo para quem anda a brincar num parque. Claro que a Carlota nem perguntou a ninguém se podia tirar o casaco (sorte não o ter largado algures..), já a Constança levou à letra a recomendação da mãe. Mais uma vez, atitude responsável/ cumpridora vs. atitude descontraída/ está-se nas tintas (e aqui que ninguém ouve... bem mais prática).

E de repente...

A Constança está uma crescida. Recebi esta foto, tirada pelo tio João, e assim que pus os olhos nela deu-se um clique cá dentro - de repente a Constança é uma menina crescida, foram-se os traços de bebé para dar forma a uma cara doce, a um olhar meigo, a expressões de criança tranquila e feliz que é. Responsável, tímida mas segura de si e com ideias muito concretas do que quer, como e quando quer. Esta foi a 1.ª pintura que quis fazer. Já fomos a muitas festas de aniversário com as miúdas a delirarem com as pinturas faciais de todas as cores e feitios, incluindo a mana, a prima e as amigas. Mas ela... nada. Gostava de ver nas outras mas nunca teve vontade de experimentar, até ontem. Um clique que se deu nela e em mim. Um desabrochar que me deixa cheia de orgulho e de emoção, por ser mãe de uma menina tão linda, tão especial, que aos poucos tem saído do seu casulo para se revelar uma pessoa linda por dentro e por fora. 


Go Girls!

Não sou apologista de muitas actividades extra porque por um lado não tenho carteira para isso, por outro e acima de tudo, porque sei que já passam muito tempo fora de casa. A escola que frequentam foi escolhida precisamente porque garante uma série de actividades (lúdicas e desportivas) dentro da escola, nos horários de apoio à família, que no caso das minhas filhas é das 8h30 às 9h e depois das 15h30 no caso da Carlota e 17h30 no caso da Constança até às 18h30, hora a que conseguimos ir buscá-las. Juntar a esta carga horária outras actividades não só é difícil logisticamente como requer muita força de vontade, leia-se: energia. A dança é 2x por semana e a seguir à escola e só acontece porque, primeiro a Carlota, depois a Constança, pediram para ir. São as amigas da escola, pequenas e crescidas à mistura, fica perto da escola/casa e tem uma mensalidade aceitável. Não acho que tenham um talento nato mas sei, sinto, que dançam com gosto. São alunas empenhadas, ajuda na concentração (sobretudo da mais pequena), trabalha a coordenação motora e acima de tudo a confiança e a desinibição. Ao contrário da natação (que vai ser obrigatória até saberem nadar com segurança), no dia em que disserem que não querem ir mais, vou deixar que saiam mas até lá, e enquanto lhes souber bem dançar... que dancem!!! 

 


Este sábado actuaram nas Festas do Casal do Rato, perante uma plateia bem composta e nervos nem vê-los! Grande orgulho miúdas!!!! 

Madalena e as suas Fadas Madrinhas

Partilhei aqui a forma inesperada e original como recebemos o convite para madrinhas da Madalena. Desde esse primeiro momento que mais um laço nos une de uma forma (quase) mágica. Se aos pais coube a difícil e importante decisão da escolha de quem para sempre manterá um laço afectivo com a sua filha, já a nós - as escolhidas - cabe a responsabilidade de receber este dom de coração, cada uma à sua maneira, oferecendo o que de melhor tem para dar.


Madrinha Telma: o dom da Coragem!

Madrinha Caty: o dom da Alegria!

Madrinha Carla: o dom da Resiliência!

Madrinha Cris: o dom da Bondade!

Madrinha Andreia: o dom da Sabedoria!

Madalena, que a todos os dons recebas de coração!

Jardim de Infância em pleno

Ontem foi a reunião da Carlota, do 1.º ano de Jardim de Infância. Começou muito devagar, com uma postura muito diferente dentro da sala e fora dela. Cheguei a ficar preocupada mas ouvi, como se deve ouvir sempre, a opinião da educadora e deixei andar (com alguma angústia, confesso...). Fui perguntando e recebia respostas curtas mas sempre com um "tudo bem, brinquei com os amigos". O tempo passou e o clique chegou. Na reunião do 2.º período a descrição da avaliação já falava numa criança participativa e empenhada, mais sociável em sala e, para meu grande espanto, muito bem comportada, organizada e educada. Música para os meus ouvidos!!! Fora da sala teve muitos momentos de "reflexão", pela atitude desafiadora, pela mania de querer estar/ser como as "crescidas", mas felizmente com a noção de que dentro da sala a responsabilidade era outra. A capacidade de separação, de mudança de atitude, de adaptação ao ambiente foi incrível! Muito pelo trabalho dos adultos, com uma educadora como eu gosto, apologista de que no jardim de infância se deve brincar, se deve explorar, se deve experimentar, se deve dar tempo ao tempo, deixá-los crescer ao seu ritmo mas com regras! No ATL, com as costas quentes pela presença da irmã e do tio, e acima de tudo, pela atenção que o grupo das meninas do 4.º ano lhe dispensaram, sabia - sabe - que pode tudo (ou quase tudo...). O fim do ano chega e o balanço, tal como o da Constança, é muito positivo! Também a Carlota teve a grande vantagem de entrar numa escola nova e "gigante" (comparada com o colégio que frequentou antes) mas com caras que conhecia, com um ritmo que ansiava e sobretudo com a companhia da querida mana, de quem se torna cada vez mais, inseparável. Ontem trouxemos os trabalhos todos para casa e foi maravilhoso ver o quanto transmitem alegria! Parabéns à educadora Ana, pelo excelente trabalho com a turma e pela atenção especial e paciência que teve com a Carlota. Parabéns acima de tudo à minha palhacinha que me deixa a rebentar de orgulho!!!






1.º ano - já passou!

A entrada na escola é um ano muito especial. Tinha muitas expectativas mas mais medos ainda. Medo da adaptação, medo da frustração, medo da pressão, medo dos novos desafios e do desconhecido,  medo da competição feroz, medo da inclusão, ou melhor, da falta dela... Foram muitos medos a gerir, uns que fui expressando, outros que guardei lá bem fundo mas que felizmente foram desaparecendo à medida que o ano foi avançando. Pontos muito favoráveis: ter feito a pré na mesma escola e por isso já conhecia o espaço, as dinâmicas e as pessoas; ter ficado na turma da professora Céu, que faz parte do quadro da escola/agrupamento e que por isso, se tudo correr bem, os irá acompanhar até ao 4.º ano; mas sobretudo ter tido uma professora que mais do estabilidade lhe deu segurança para aprender, passou regras construtivas e inclusivas, numa turma com 2 alunos com necessidades educativas especiais; conseguiu ensinar sem massacrar, com trabalhos para casa por vezes intensos mas que vejo agora, à distância, que tinham mesmo de ser para consolidar aprendizagens e incutir hábitos de estudo; mas acima de tudo, ganhou o carinho da minha filha, que não é algo fácil de conquistar... foi o começo de uma relação natural, sem pressão ou imposição, a testar limites e a elogiar conquistas. O balanço é para lá de positivo, com uma avaliação de "Muito Bom" em todas as áreas lectivas, que demonstra que o empenho é sempre premiado. Resultado final alinhado com as expectativas, sendo a Constança uma menina concentrada, atenta e dedicada mas conseguindo ainda assim superar pela forma como encarou este 1.º ano de descoberta! Aprendeu a escrever e a ler devagarinho, seguindo o seu próprio ritmo (que por vezes me desesperou, confesso...), com calma mas segura de si. E foi essa segurança que me surpreendeu! De facto ser tímida não tem de ser sinónimo de insegura. Parabéns minha filha, o 1.º ano já passou!

Alguns exemplos dos tesouros que encontrei no dossier da escola. Uma espécie de "Best of" porque na verdade todos os trabalhos são dignos de nota. Como diz a professora: temos artista!




O desafio era: desenha a família com quem vives e na cabeça da Constança (e dos restantes pequenos lá de casa) a nossa casa é apenas 1. Todos vivemos no n.º 15!



Picnic dos Amigos

Há uns anos, quase por acaso, descobrimos o parque desportivo de Mafra num passeio com os compadres Dora e Luís. Os miúdos adoraram, sobretudo pela tranquilidade que o espaço transmite, sem fila para escorrega ou baloiços. Nós, pais, ainda gostámos mais porque sendo um parque plano dá para ficar à conversa mas sempre com campo de visão limpo para ir espreitando as aventuras dos pequenos. No ano seguinte organizámos um picnic com o grupo de amigos, que também gostaram muito, apesar de não ficar propriamente perto compensa pela qualidade - tem sobra, tem espaço para jogar a bola, tem baloiços e cenas várias para pequenos e mais crescidos e muito, mas muito espaço verde, para se estar à vontade sem ter magotes de pessoas em cima. Melhor ainda, tem um café à entrada, com esplanada e longe do espaço do parque, o que significa que dá para uma "escapadinha" em off (seja dos filhos, seja dos maridos e vice-versa). Eles dizem sempre que nós demoramos mais de 1h, quando na verdade são sempre eles que nos batem aos pontos mas também esse tipo de "competição" faz parte da tradição que, todos concordamos, veio para ficar.
Sem dúvida um dia muito bem passado! Ou, usando uma expressão mais na "moda", tempo de qualidade!!! Próximo ano há mais.


Vista à esquerda

Vista à direira


Já formam uma turma (e não estão todos...)












Uma estreia para a Madalena, para a Maria, para a Frederica e para o Pedro! Pelas fotos dá para perceber o quanto adoraram!!! Próximo ano já temos encontro marcado.