Aos avós lá de casa

Hoje é dia Mundial dos Avós. São datas especiais que nos levam a pensar sobre o papel destas pessoas nas nossas vidas. Eu tive a sorte de crescer com avós cheias de vida, que viviam na mesma aldeia e que tomavam conta de nós a meias nos meses de verão. Almoço na avó de "cima", jantar na de "baixo". Da avó Natividade tínhamos sempre tudo o que pedíamos, batatas fritas em azeite que só na casa da avó de cima tinha aquele sabor tão especial. Ia connosco ao café e era sempre generosa com as guloseimas, levava-nos à rega e à Tapada cimeira para tratar dos animais, sempre bem-disposta, com vontade que o verão durasse o ano inteiro! A parte preferida era ter companhia para dormir, que entre nós íamos sorteando porque todas queriam dormir com a avó! Já na avó de baixo, a dinâmica era diferente porque sempre imperou a auto-gestão. Fazia-nos crer que tínhamos total liberdade mas pelo meio lá íamos levar as maçãs ao porco ao Vale da Vinha ou buscar os ovos à Eira. As tarefas sucediam-se e os dias passavam uns a seguir aos outros mas sempre diferentes. Sempre na rua, nos campos, com uma ida à barragem ou um banho no tanque nos dias mais quentes. Foram anos seguidos com férias de verão na aldeia das avós que, cada uma à sua maneira, sempre nos fizeram sentir especiais. A maior tristeza era ser só no verão... a distância era dolorosa para elas, que de um dia para o outro deixavam de ter a casa cheia de filhos e netos para voltarem à vida solitária de viúvas da aldeia; mas também para nós, que passávamos o ano a ansiar pela chegada das férias, sempre saudosas dos abraços e beijos entre lágrimas de alegria sempre que chegava o reencontro. Não havia a convivência diária que felizmente as minhas filhas têm a sorte de ter com os meus pais mas a ligação era forte e especial na mesma. Tenho pena que as minhas filhas não tenham conhecido a avó Natividade, que se teria perdido de amores pelas bisnetas e bisnetos e rebentado de orgulho com os olhos azuis da Francisca. Também tenho pena que as minhas filhas, sobrinhas e sobrinhos não conheçam a força de vida da avó Luz - para eles é a avozinha, como tão calorosamente lhe chamam, cuja missão de vida é fazer mantas de croché. Nem lhes passa pela cabeça a quantidade de molhos de mato que lhe passaram pelas costas ou os terrenos que praticamente sozinha cuidava fizesse sol ou chovesse a potes. Tenho mais pena ainda de não terem conhecido os avós paternos, esses sim teriam vibrado com o poder genético do seu querido filho do meio! Tão diferentes entre si mas as duas iguais ao pai. 
Com todos os defeitos e virtudes os avós são insubstituíveis pela herança que representam, pelo património emocional que transportam, pela capacidade de se tornarem outras pessoas, encontrando no papel de avós uma forma de expressarem todo o amor que nem sempre conseguiram expressar enquanto pais. Mas no balanço final, deixando as penas de lado porque a vida é o que é, sei que as minhas filhas, ainda assim e apesar de tudo, são umas sortudas!!! Os meus pais, seus avós, não só fazem parte activa do dia-a-dia como se entregam com todo o amor, disponibilidade e atenção a todos os netos. Saber que preferem jantar nos avós do que em casa ou que entram em histeria quando as deixo ficar a dormir diz tudo. Que esta ligação continue por muitos e longos anos e que o amor, respeito e dedicação continue a ser mútuo e em dobro! Feliz Dia Mundial dos Avós!!!


1 comentário:

Sandra disse...

Lindo! Mais uma vez, descreves-te maravilhosamente... Que nostalgia...
Obrigada maninha!

Sou tua fã... Love you!