Há prioridades na vida

Ontem, estava ainda a arranjar-me para sair de casa, recebi um sms de uma amiga a avisar que não havia metro na linha azul - circulação interrompida por tempo indeterminado. A pessoa fica logo sem vontade de sair de casa!!! Mas lá fui, ainda na esperança que no tempo entre sair, deixar as miúdas na escola e chegar à Pontinha ficasse tudo normalizado. Mas, óbvio, que não ficou e a alternativa foi ir de autocarro até Telheiras, apanhar o metro linha verde, trocar no Campo Grande para a amarela e chegar, passada mais de 1h, finalmente ao Marquês. Percurso que todos os dias faço, directo na linha azul, em 20 minutos (quando corre tudo bem - o que ultimamente tem sido uma raridade...). Enfim, demorei mais tempo mas cheguei, sem ar afogueado que ninguém morre se chegar 45 minutos depois (que até por acaso coincide com a hora habitual de chegada da grande maioria). 
Chegou a hora de saída e parecia cena de filme, como se o tempo voltasse atrás... toca o telefone, chamada da mesma amiga da manhã a dizer que a linha azul estava, pasmem-se, outra vez sem circulação. Alternativa óbvia, apanhar um táxi! Ainda consegui dividir a despesa com a amiga, que veio ter comigo ao Marquês e que também estaciona na Pontinha, que se fartou de rir com o meu raciocínio: a pessoa para chegar ao trabalho não corre, já para ir para casa... voa!
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Juntos por Todos

Há quem passe a vida (e quem ganhe a vida) a criticar o nosso país. Há quem diga que somos um país atrasado, sempre na cauda das tendências e dos desenvolvimentos. Há quem acredite que somos menos que outros, menos evoluídos, demasiado lentos a reagir. Há quem sinta que somos limitados em muitas áreas. Ora a tragédia de Pedrógão Grande veio mostrar-nos muita coisa má - falta de organização, de meios, de gente num país interior que só nos lembramos ainda existir quando exposto desta maneira - mas também somos um país com um coração grande como nenhum outro. Um país em que a solidariedade aparece de todos os cantos, incluindo além fronteiras por quem foi fazer pela vida mas que aqui deixou o coração. Jovens, velhos, pessoas com capacidade económica para ajudar, outras com boa vontade e braços de trabalho que se dispuseram, desde a 1.ª hora, a acorrer a estas pessoas que perderam tudo. Somos um país que mesmo frente a um cenário de terror, consegue erguer a cabeça e, acima de tudo, arregaçar as mangas e avançar. O concerto solidário de ontem provou isto tudo - no espaço de 1 semana conseguiu-se reunir vários artistas, equipas concorrentes a trabalhar em conjunto para uma emissão inédita em televisão, com os 3 canais generalistas a transmitir em directo e em simultâneo e, o mais importante, encher o Meo Arena e conseguindo mais de 1 milhão de euros que serão fundamentais para reconstruir, pelo menos a nível material, as vidas de tantas pessoas. 
Claro que nem tudo é perfeito aqui neste país à beira-mar plantado. Aconteceram falhas graves naquele dia, algumas difíceis de prever e combater, outras mais do que previsíveis, pelo actual estado de abandono em que algumas zonas do país estão, com cada vez menos pessoas, menos meios, menos visibilidade. Há muito trabalho pela frente, muitos planos que precisam sair do papel, responsabilidades a apurar, melhorias a fazer e novos sistemas a reinventar mas acima de tudo, e o mais importante para já, é preciso fazer renascer vidas das cinzas que ficaram. Juntos por Todos.

Demorei a escrever sobre este assunto porque o que aconteceu foi tão aterrador que me deixou zonza. 1.º a notícia das mortes, depois a forma como pessoas - incluindo famílias inteiras - perderam a vida a tentar fugir à morte que mais me assusta. Seguiram-se as notícias e reportagens que mal deixaram espaço para pensar. Histórias de horror outras de quase milagre, tantas de uma aflição que chega a doer só de ouvir, de imaginar... Depois houve ainda as tristezas, o aproveitamento jornalístico e o político, de uma infelicidade enervante! Felizmente, e depois da noite de ontem, percebi que no meio do caos há sempre esperança, que conseguimos o pior mas também o melhor, quase à mesma velocidade e proporção. E é nestas alturas que sei, que sinto, que nascer português é uma honra. Força Portugal!
http://blitz.sapo.pt//videos/2017-06-28-Juntos-Por-Todos-o-resumo-de-uma-noite-para-nao-esquecer

Associativismo parental

Assim que a Constança entrou na escola pública quis saber como fazer parte da Associação de Pais. Para mim é tão normal como fazer a inscrição, tão natural como saber os contactos da escola e os horários de atendimento da professora. Se sou mãe, encarregada de educação, é meu dever, minha obrigação acompanhar os problemas da escola que escolhi para as minhas filhas. Esse foi o exemplo que tive em casa, com a minha mãe a fazer parte da Associação de Pais da escola que frequentámos, numa altura em que tudo faltava, em que era preciso ir a pé para a escola, com rios de lama no inverno o que nos obrigava a ir de botas de borracha nos pés, com uns sapatos na mochila para trocar na entrada da escola. Lembro-me da minha mãe ser entrevistada para a televisão, o que há cerca de 30 anos era um verdadeiro fenómeno, enquanto membro da AP de Casal de Cambra, a defender melhores condições e mais recursos, numa luta para que o "maior bairro clandestino da Europa" ganhasse acessibilidades básicas, como arruamentos e esgotos. Foi graças ao seu empenho, e aos de outros pais/mães como ela, que se conseguiu construir uma escola nova que as minhas irmãs estrearam e que eu, o meu irmão depois de mim e o hoje o meu sobrinho frequenta. A prova de que não é preciso ter "estudos" para se ter uma vida activa na cidadania, menos ainda ser-se Dr. para saber defender os interesses dos filhos. O importante, há 30 anos como hoje, é querer saber. Querer saber que escola frequentam os filhos, conhecer as pessoas que nela trabalham, que condições têm, o que se pode melhorar e o que está ainda por fazer. Mas hoje, apesar de termos muito mais recursos à disposição, mais formação, outra disponibilidade financeira, até grupos de "mães" que nas redes sociais tudo sabem... apesar disto tudo a verdade é que hoje o espírito de associativismo parental é menor do que há 30 anos. Esta semana houve assembleia geral, divulgada com a devida antecedência, e foram apenas 2 mães que compareceram para além dos membros da AP, duplicando ainda assim o número de participantes da 1.ª Assembleia Geral a que fui, onde acabei "recrutada" pelas forças da circunstâncias. Há quem acredite que isto só pode ser "bom sinal", sintoma de que está tudo bem na escola, que se houvessem problemas sérios aí os pais em peso apareciam. A mim não me convencem... não aparecem porque na verdade não querem saber. Preferem criticar só porque sim, como aliás tem estado na ordem do dia, sendo os incêndios só mais um exemplo disso. Críticas sem conhecimento de causa, comentários depreciativos de quem desconhece a realidade, de quem nunca se deu ao trabalho de tentar perceber a origem dos problemas, menos ainda de encontrar/procurar soluções. O associativismo parental, como a cidadania em geral, sofre de um problema crónico que se chama ignorância - seja por desconhecimento de causa, seja pela inércia de fazer em vez de criticar, seja pelo egoísmo de quem acredita que há sempre quem faça por si, seja pelo alter-ego de quem se convence que apontar problemas sem procurar soluções resolve alguma coisa.
Não espero conseguir resolver os problemas do mundo mas se conseguir que a Escola que as minhas filhas frequentam seja uma Escola melhor, fico feliz.


Obrigada a todos os elementos da Associação de Pais da Escola Quinta da Condessa, por me fazerem sentir parte da equipa desde o 1.º momento, aquele em que pensei ir assistir a uma assembleia geral, aberta a todos os pais e encarregados de educação de uma escola com cerca de 200 alunos, mas na qual apenas apareci eu. Obrigada em especial à Susana Martins que me foi contagiando com a energia de quem defende os interesses dos alunos - de todos os alunos - como se dos seus filhos se tratasse, pela determinação em ser justa e pela luta feroz em conquistar uma escola onde os alunos sejam acima de tudo felizes. Espero estar à altura das expectativas...

Orgulho gigante!


Há dias na vida em que devia ser possível o dom da multiplicação, o dom de estar em 2 sítios ao mesmo tempo. Fosse isso possível e eu estaria na plateia, de pé a bater palmas de orgulho e emoção no lançamento do livro da mana e da sua turma e ao mesmo tempo na entrega do diploma de finalista do 4.º ano do Simão. No mesmo dia, à mesma hora aconteceram estes momentos que ficam na nossa história mas que infelizmente não assistimos ao vivo. Vale-nos esta ligação tão forte que ultrapassa a presença física, sabendo que no nosso coração estamos sempre juntos - Um por todos e todos por um.
Parabéns querida mana por mais este acontecimento especial na tua vida, que tão bem reflecte o amor, a dedicação, as horas de trabalho e de entrega que tens aos teus alunos - não à escola, não aos colegas, não aos pais mas sempre, de corpo e alma, aos alunos, os "meus meninos" como lhes chamas e sentes. Sorte a destes miúdos que começam a vida escolar com uma professora como tu. Lá está, não conseguimos mudar o mundo, mas conseguimos fazer mais e melhor a quem nos rodeia. Parabéns maninha!!! 




Parabéns Huguinho!

É um número redondo mas mais do que isso é a entrada num novo ciclo da vida: nos "entas". Há quem diga que a partir de agora é a doer, uma linha descendente com as maleitas a aparecer. Mas também há quem afirme que a partir dos 40 é que a vida ganha outro ânimo. Eu acredito nas 2 teorias, sei que ambas têm um fundo de verdade, mas sendo optimista por natureza e racional por convicção, acho que se deve viver a vida ao máximo, independentemente da idade. Há fases mais estimulantes do que outras, alturas em que apetece fazer tudo e outras em que não apetece mexer uma palha. Outras em que se começam novas aventuras, outras que se fecham ciclos. Sem data marcada ou prazo de validade. A vida é para ser vivida se possível sempre em festa, rodeados por aqueles que realmente importam, por quem está sempre lá, nos bons e maus momentos. A vida é feita de acontecimentos e o que importa é que sejam felizes - no que estiver ao meu alcance tudo vou fazer para que muitas coisas boas aconteçam na tua vida, que te façam sorrir, fazer discursos confusos mas sentidos, que te levem a acreditar que a vida tem caminhos difíceis mas que pelo meio tiveste a sorte de encontrar as pessoas certas - aquelas que te querem ver feliz. Parabéns meu amor!


Adorámos receber família e amigos num almoço histórico por conseguir reunir pessoas tão importantes na vida do Huguinho, desde amigos de infância, amigos do trabalho, primos de longe, amigos de perto e outros que mesmo não conseguindo estar presentes marcam de forma especial as nossas vidas. Obrigada a todos os que me ajudaram a fazer deste dia mais 1 que fica para a nossa história!














Parabéns Pai!

O meu pai faz 66 anos hoje. Ele é do tempo em que o dia de nascimento não tinha de ser o dia do registo, por isso oficialmente só faz anos na próxima semana, no mesmo dia do Hugo (mais uma coincidência boa na minha vida!). 
O meu pai é do tempo em que não existia a etiqueta de "famílias numerosas" porque o normal era ter muitos filhos, e não o contrário, num tempo em que ser o primogénito significava ser o "chefe de família" na ausência do pai. Com o peso da responsabilidade, do exemplo, do dever, do orgulho que representava e ainda hoje representa. 
O meu pai é do tempo em que o Serviço Militar era obrigatório e fez parte de um dos muitos contingentes com missão de "paz" em África. Tem muitas históricas para contar desse tempo, que guarda como um "teve de ser", felizmente sem trauma de maior pela sorte que o serviço à padaria lhe conferiu. Apesar do tempo de serviço, nunca chegou a aprimorar os seus dotes culinários... acabou por ser "salvo" por uma pequena cirurgia que o trouxe de volta ao país que sempre amou como pátria e onde tinha a vida em suspense, para que a sua história se cumprisse.
O meu pai é do tempo em que se namorava por carta, com o corpo à distância mas o coração seguro e firme, preso num único e grande amor. É do tempo em que bastava o "sim" para se começar a vida, sem esperar pelo "momento certo", pela casa ou pela carreira estável. Muito perto do conceito "um amor e uma cabana", sabendo que com vontade e determinação tudo se consegue. 
É do tempo em que se trocavam cartas e juras de amor, até pedidos de casamento por escrito! Não era preciso namorar muito tempo quando a escolha estava feita. O pedido e o casamento aconteceram no mesmo ano e já lá vão 41... uma vida!
É do tempo em que trabalhar na função pública era o sonho de qualquer português! Ainda hoje não percebe como é que o filho não quis seguir uma vida como motorista da Carris... companhia da qual foi funcionário assíduo, com muitas horas extras de condução que chegaram a valer medalha de honra pela ausência de acidentes. Mais de 40 anos de descontos, de entrega, de muitas horas ao volante, diferentes percursos e muitas caras simpáticas, outras de fugir... Ainda foi do tempo em que os filhos dos funcionários tinham médico gratuito, passe garantido, presentes no Natal e colónia de férias no verão. Benefícios que foram acabando à medida que fomos crescendo mas que chegámos a tirar partido. Lembro-me das idas ao pediatra em Santos, das filas para receber os presentes no circo - que ficavam guardados bem alto no armário não se fossem estragar (para grande arrependimento da minha mãe, que hoje reconhece ter sido excesso de zelo...). Lembro-me melhor ainda das colónias no verão, que frequentei criança e depois acabei por ser monitora, com as manas e depois com o João de quem ainda fui coordenadora!
Porque o meu pai é do tempo em que pelos filhos valia tudo, mas acima de tudo era preciso passar-lhes o valor do trabalho - se queres ter alguma coisa na vida tens de trabalhar para isso. Aprendemos pelo exemplo e não podíamos ter aprendido melhor. Obrigada querido pai por tudo isto e por muito mais que não cabe em palavras. Temos muito orgulho no que já foi e muita esperança de que ainda muito de bom está por vir! Muitos parabéns!!!!


Bem-vinda Madalena!


Estou a escrever esta mensagem de coração cheio, com a voz embargada e de lágrimas que teimam em querer cair. De pura alegria pela enorme emoção do nascimento da Madalena, que conseguiu surpreender por tamanha resistência, mas por ter recebido esta notícia maravilhosa e já aguardada, com outra que me deixou neste estado de comoção profunda:
"Como qualquer história de princesa,  no nascimento os reis convidam as fadas madrinhas para lhe atribuírem qualidades...aqui os papás acham que estas 5 fadas todas tão diferentes podiam ser as madrinhas da princesa Madalena...


SIM!!!!

Um convite cheio de significado, com um toque de magia que me deixa comovida, orgulhosa, surpresa, emocionada, grata... tudo num misto de emoções difíceis de explicar por palavras. Em resposta a este convite mágico, assumo o meu papel junto da equipa de madrinhas escolhidas e atribuo à pequena Madalena o Dom da Coragem. Podia escolher outros, tão ou mais importantes mas prefiro este, que acredito está na base de tudo. Coragem para viver uma vida plena; Coragem para aceitar o que a vida trouxer; Coragem para enfrentar os desafios que aparecerem; Coragem para seguir sempre em frente; Coragem para amar o próximo; Coragem para ser feliz. Cá estarei, a partir deste 1.º momento de vida para tudo o que precisares. Bem-vinda querida Madalena!!!


Às minhas crianças

Dizem que ser criança hoje é muito diferente do que já foi. Basta pensar na minha infância e na das minhas filhas para saber que é verdade. São outros tempos, novos meios, diferentes recursos, desafios que se impõem, numa sociedade que também mudou. Se tudo foi para pior? Não acredito! Há extremos, bons e maus exemplos, como haverá sempre, indiferente ao tempo e ao espaço. Mas no essencial, na base de tudo e naquilo que realmente importa, nada mudou. Um sorriso continua a ser um sorriso. Um abraço apertado continua a ter as mesmas capacidades curativas que tinha há séculos. Mudam-se os tempos mas não se perde a essência. É essa a lição de vida que espero ensinar às minhas filhas, às crianças da minha vida*.

*Por crianças da minha vida deve ler-se todas as crianças que moram no meu coração. Felizmente ele é de uma elasticidade impressionante: Simão, Matias, Francisca, Miguel, Frederica; Maria Leonor, Maria Francisca, Duarte; Vasco, Madalena (que ainda não nasceu mas que amo como se já conhecesse), Salvador, Gonzalo, Santiago, Pedro M., Margarida, Madalena, Núria, Ema, Vicente, Gaspar, Maria, Matilde, Diana, Pedro, Tomás, Leonor, Teresinha, Diogo, Madalena M., Andrea, Pedro e Francisco, Constança José e João Pedro (que para mim será sempre criança, mesmo já maior de 18).
Feliz dia da criança para todos!