Férias nos avós

Depois de uma semana fora pensava eu que estariam ansiosas para estar em casa mas quando perguntei se preferiam ficar a dormir nos avós, para não terem de acordar cedo e manter a rotina do ano inteiro, a resposta foi rápida e em bom som: queremos ficar a dormir nos avós!!! Por mim tranquilo, todos felizes com esta solução. Passo por lá no final do dia para ver como estão, aproveito para jantar que a mãe até levava a mal se não comesse qualquer coisinha e depois dou um beijinho de boa noite e vou para o sossego do lar. Era uma semana destas todos os meses, o ano inteiro! 


Na foto não dá bem para ver mas ontem estiveram a fazer tatuagens umas nas outras, com esferográfica. Eu a querer ralhar, a explicar que não era boa ideia, que fazia mal à pele até me deparar com a da avó que dizia: a melhor avó do mundo! Que não só alinhou como incentivou a brincadeira, orgulhosa da sua tatuagem, a mostrar com ar de quem não tem pressa que saia com o banho. A sorte destas miúdas!!!!

As saudades que já tinha

As saudades que eu já tinha das minhas ricas filhas! Não foi só a Constança que esteve fora, também para a Carlota foi uma semana diferente, uns dias no Meco outros na Lagoa, na companhia dos tios e dos primos, numa experiência a solo que também nunca tinha experimentado. Prova também superada com muito sucesso, a mostrar que momentos em separado fazem todo o sentido, fundamentais para que cada uma possa ser aquilo que é. Ser o mais velho tem o lado da pressão da responsabilidade e do exemplo mas, em oposição, ser o mais novo significa que não se é o primeiro.  É certo que há menos pressão mas também menos atenção, a grande maioria das vezes de forma inconsciente até. Poder estar sozinha, sem ser sombra ou querer fazer sombra à mana, foi muito importante tanto para a Carlota como para os tios e primos que conseguiram vê-la e relacionar-se com ela noutra perspectiva. Obrigada pela disponibilidade e parabéns pela forma como a acolheram!


Sabia-a feliz e certa de que se sentia segura e em família, daí a tranquilidade e uma sensação oposta à sentida quanto à ausência da Constança. Mas independentemente dos estados de espírito, as saudades  das duas foram mais do que muitas! O momento do reencontro foi de uma alegria e de uma ternura inexplicáveis. 

Prova superada!

Foi uma estreia para a todos. Uma semana, logo a mais quente dos últimos 18 anos, longe de casa e completamente fora da zona de conforto, em todos os sentidos da palavra. Acampar só por si já é um verdadeiro desafio, com mais de 40º graus é quase missão impossível! Foram dias com os sentimentos à flor da pele, num misto entre orgulho e receio; alegria e angústia; adrenalina e medo; tenacidade e desespero. Em doses separadas mas também tudo misturado, numa espécie de esquizofrenia doentia que me tirou horas de sono. Foi uma semana dura para mim mas acima de tudo, dura para a Constança, tanto física como emocionalmente, num processo de pura superação mas que terminou com sorriso caloroso e abraço apertado! 
As saudades foram muitas mas a Constança que chegou é uma Constança diferente da que foi porque sabe agora, por experiência própria e sentida na pele, que conseguiu superar-se e com isso ganhar uma força e energia que desconhecia. Foram postas à prova muitas competências e descobertas uma série de novas aquisições e percepções, seja de si própria, seja dos que a acompanharam, seja ainda de todas as suas referências, vistas à distância e de uma perspectiva totalmente desconhecida. O regresso foi uma lufada de ar fresco na vida dela e na nossa. Uma experiência que fica para a vida!

Constança - 8 anos

Um vídeo com o best of que tinha seleccionado até Abril, para ser uma das prendas de anos mas que por motivos técnicos não foi possível na altura. Fica pronto hoje, com atraso de vários meses mas a tempo de fazer com que o regresso a casa, depois de uma longa e quente semana de acampamento regional com os escuteiros, seja ainda mais especial! Parabéns meu amor


O cordão invisível

Elas crescem rápido, demasiado rápido.
Achamos que quando são bebés é que é difícil mas essa é só a melhor parte. Quando lhes pegamos e cabem no aconchego do colo, quando nos olham como se fossemos todo o mundo que importa, numa ligação de dependência total que nos absorve todas as energias mas que também nos dá a sensação de controlo total e absoluto. Mas à medida que vão crescendo vão também ganhando autonomia e se por um lado respiramos de alívio por outro sentimos que cada vez menos está ao nosso alcance conseguir protegê-los ou controlar o que quer que seja. Vão saindo do casulo, demonstrando traços de personalidade, vincando gostos e interesses e, aos poucos, vão precisando cada vez menos de colo. Deixamos o casulo para nos ligarmos com um fio invisível, que guia, que dá espaço, que liberta, que responsabiliza, que estica e encolhe à medida das situações e reacções.
É uma gestão dura para quem precisa de comandar este fio condutor, saber quando é preciso dar folga e quando é preciso apertar. Um exercício que se estende pela vida fora, em fases diferentes, umas mais intensas, outras mais relaxadas mas que está sempre lá, numa ligação que começa na barriga e que se estende para a vida toda.
Um desafio que é sem dúvida o maior da minha vida, no meu caso em dose dupla! Duas filhas que conseguem ser tão parecidas mas tão diferentes ao mesmo tempo. Saber gerir as suas particularidades nem sempre é fácil mas ter uma rede de apoio com quem posso sempre contar faz toda a diferença, na minha e na vida delas também. Sentir que crescem seguras e confiantes, com coragem para arriscar e para sair da zona de conforto deixa-me a rebentar de orgulho!
Parte pode ser mérito nosso (dos pais), que sempre promovemos as dormidas fora de casa, seja nos avós, nos tios ou mesmo em casa de amigos próximos, mas a grande vitória é delas! Terem não só a determinação do "ir" como a coragem para "ficar", resistir às saudades e à rotina que conhecem e que dominam. Esta capacidade de aproveitar as oportunidades e de as viver à séria deixa-me para lá de orgulhosa, chega a comover-me.
Que continuem sempre assim, que a vida vos continue a mostrar que sabe ser generosa com quem não tem medo de arriscar, com quem se dá aos outros com confiança e dedicação, com amor e entrega. Cá estarei para dar os empurrões que forem precisos, mesmo quando o coração fica apertadinho com a dor da separação. O nosso cordão pode ser invisível mas tem o dom de ser inquebrável, com uma elasticidade para ser testada pela vida fora. 
   

11 anos

Engraçado como a vida é feita de coincidências. 
Há 11 anos estávamos em festa, na Quinta do Gaio no Cartaxo, numa festa que correu tal e qual a imaginámos, com a família e os amigos que escolhemos. Foi um dia muito especial para todos, para nós - os noivos - a realização de um sonho. Reunimos quem escolhemos para assinalar o começo de uma nova vida. Dissemos o "sim" numa igreja à pinha, aproveitámos a festa até altas horas da madrugada e guardamos ainda hoje bem frescas memórias desse dia tão especial. E da noite em particular com aventuras e peripécias que dificilmente alguém teve igual. Uma delas foi chegarmos a casa (a dos caseiros) onde fizemos questão de passar a noite de "núpcias", para encontrar a porta centenária trancada à chave - algo que pensávamos ser impossível e nunca antes tentado. A chave tinha ficado a cargo do Sr. Eliseu (pai do cunhado Nuno) que amavelmente se tinha oferecido para ficar com a tarefa de ser o último a sair de casa e a deixar tudo fechado. A porta ficou tão bem trancada que não abriu com a nossa chave, que aliás partiu após várias tentativas. O noivo, qual cavalheiro em frente à sua amada arranjou logo solução, partiu um dos vidros com o sapato e lá conseguiu entrar pela janela. A questão é que entrou mas foi direito à cama, tão KO estava. O pequeno detalhe é que me deixou, a mim noiva, plantada em frente à porta mas do lado de fora, indecisa entre saltar também pela janela vestida de noiva e tudo ou se virava costas e o deixava acordar sozinho na sua 1.ª noite de casado! Valeu-lhe (valeu-ME!) o seu querido irmão mais velho, nosso motorista, que percebendo o estado do noivo não arredou pé até nos ver aos dois dentro de casa. Lá saltou o André a quem coube a "honra" de me ajudar com os mil ganchos do cabelo e cenas que tal enquanto o meu querido marido roncava, alto e bom som na nossa cama!!! 
E hoje partilho esta peripécia porque passados 11 anos foi batizado o pequeno Henrique, filho da Filipa irmã do Nuno, neto do Sr. Eliseu. Uma ausência sentida por todos com muita saudade... mas a vida é mesmo assim, dor e alegria tantas vezes de mãos dadas. Tal como num casamento. 
Já lá vão 11 anos e felizmente muitas têm sido as alegrias. As peripécias também, tal como profetizava a nossa 1.ª noite de casados. Mas cá continuamos, juntos e felizes, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias das nossas vidas.



Duplamente feliz. Parabéns maninhas!

Hoje é dia de festa. Há 41 anos que este dia é especial para a nossa família, com a chegada da primeira neta Tomé, da primeira mana Peres, da mana mais velha que desde sempre esteve à frente do seu tempo. Sempre sentiu o peso de ser a primeira e com isso definiu o seu percurso de vida, fez escolhas e aguentou as consequências como ninguém. O peso de se ser a primeira, a mais velha, de quem se espera exemplo não é fácil. Como se já não fosse difícil o suficiente ainda acresceram (e acrescem ainda hoje e pela vida fora) as expectativas auto impostas que implicam disciplina e muita ponderação. A vida da mana mais velha podia ser outra se não tivesse sido a primeira a nascer, acredito que sim. Podia, mas não seria a mesma coisa! Este enorme, e único, espírito de união, de valores partilhados, de vidas entrelaçadas, de termos o coração na boca e todos baterem no mesmo ritmo se deve a ti, a primeira de nós - com quem aprendemos que é na família que está o nosso universo e é em função dele que devemos girar. Obrigada mana, a primeira de todas, por tudo e por tanto. Muitos parabéns!

Mas hoje os parabéns também são para a mana Andreia, a segunda Peres que seguiu a única profissão que podia ter seguido pela vocação e dedicação que obriga. É professora há 15 anos, com um percurso cheio de mudanças, de conquistas, de alguma frustração mas nunca, mesmo nos anos mais negros com colocações para lá de tardias e em escolas difíceis, nunca perdeu o brilho no olhar quando fala "dos meus meninos". Um entusiasmo crescente, que foi alimentando com formações, com mestrado, com entrega e motivação, com vontade de fazer mais e melhor pela escola pública, mesmo continuando a não ter garantia de colocação no ano seguinte. 15 anos de instabilidade que chegam hoje, finalmente, ao fim com o seu nome na lista dos admitidos aos quadros. Efectiva depois de 15 anos de serviço. Muitos parabéns mana! E muitos parabéns a todos os nossos amigos que partilham hoje desta vitória. É a escola pública, a escola que é de todos e para todos, que fica hoje a ganhar.




É deixar ir...

A Constança é que pediu para ir para os escuteiros. Tenho de repetir isto a mim mesma várias vezes para ter coragem para a deixar ir. A 1.ª caçada foi 1 fim-de-semana, 1 noite fora a 20 minutos de casa e já me custou tanto...  não quero pensar no que me espera daqui a menos de 2 semanas! 
Inscrevemos no ACAREG, o acompanhamento de verão da Região de Lisboa, depois de lhe explicarmos o que era e lhe perguntar se queria ir. Recebemos um "sim" daqueles decididos. E se ela está disposta a arriscar, a sair da zona de conforto e ir numa aventura de 7 dias, 6 noites com a sua alcateia, quem sou eu para lhe dizer que não?! Tenho mais é de apoiar e de ficar feliz por ela, pela sua capacidade de ir, mesmo sabendo que vai ter saudades mas disposta a experimentar novas aventuras. No fundo todos sabemos que se vai divertir muito, que vai andar tão entretida que nem se vai lembrar de ter saudades, que vai fazer coisas diferentes e experimentar a sensação de liberdade e de autonomia pela 1.ª vez. Vai voltar diferente, mais crescida e muito orgulhosa de si própria, disso tenho a certeza. Pensar nisso faz parecer mais fácil mas ainda assim tenho o coração a encolher nesta contagem decrescente. Começo agora a sentir a "dor" do crescimento, de a ver crescer, fazer escolhas, aceitar as consequências, arriscar e ir... é como se o momento do parto se repetisse, com dor e alegria na mesma medida. E de repente só me vem à cabeça a descrição do parto mais justa de sempre: pensas que morres, mas não morres. Tão simples quanto isso. Sei que vou sobreviver e ficar com a sensação que é daquelas dores pelas quais vale a pena passar. Boa sorte Lobita do meu coração!

Sou uma lamechas

Eu sei que sou uma lamechas. A música consegue sobressair isso em mim. E esta é daquelas em que gosto de tudo. Da letra, das vozes, das interpretações, da melodia e... do sentido. 
Eu sem a minha família, o meu núcleo duro, não saberia viver. 
Damos tanta coisa como garantida nesta vida mas a verdade é que a vida é um sopro, cheia de imprevistos, com surpresas que nos mudam os planos, que nos fazem repensar tudo, voltas que nos enchem de entusiasmo, outras que nos deitam ao chão com uma força que fica difícil recomeçar, dar a volta e acreditar que melhores dias virão. Mas eles acabam por vir. O tempo é mestre nisso mas o mais importante é a família, aquela a que pertencemos e aquela que escolhemos. Essas pessoas - o núcleo duro - é que fazem a diferença na forma como damos a volta, na força que temos de arranjar para seguir em frente, para ser forte por nós mas acima de tudo pelos outros, por quem também está por mim e comigo, sempre. Nem sempre fazemos por merecer este amor incondicional mas é essa a beleza da família - a capacidade de amar sem "mas". Com defeitos e virtudes, Um por todos e Todos por um.






Obrigada amiga Inês Guterres pela partilha desta música, que assim que ouviste achaste que foi feita para mim. É essa a beleza da nossa amizade e é por isso que fazes parte do meu núcleo duro.