Parabéns maninha!

Dizem que o aniversário é a altura ideal para resoluções, para novos começos, para mudança de hábitos, para dar início a outros projectos e a diferentes rotinas. Para se cortar com o que nos pesa e abraçar só o que nos faz feliz. Nem sempre se consegue pôr em prática pelas vicissitudes da vida mas tu tens a sorte de começar os 40 anos - logo os 40! - como poucos: com a mudança de casa, com o começo de uma nova vida a 4! Foi um processo muito lento, que sei que muito te desesperou, mas que acabou (como quase tudo na vida) por valer a pena. Tanto pela casa em si, pela localização, pelo espaço, mas sobretudo porque o processo implicou imprevistos que te levaram para mais perto de nós. Voltar a casa dos pais, depois de 20 anos fora, pode ser difícil de encaixar para a maioria mas não para nós, não para ti, a quem a família diz tudo, para quem a família é tudo. 
Cresceste a sentir o peso da responsabilidade da irmã mais velha, um papel que tantas vezes te levou a fazer não o que querias, mas o que devias. Um papel que sempre assumiste com orgulho mas com muito espírito de missão, que nem sempre foi reconhecido, confesso... porque ter o papel de  quem deve dar o exemplo não é fácil! Há coisas que só depois, olhando em retrospectiva, sobretudo depois de ser mãe, percebo o quanto foram importantes, o quanto trabalharam em prol da pessoa que sou hoje. Quero que saibas que valorizo tudo, que te admiro muito e que tens em ti muito que gostava de ter mais em mim mas também quero que saibas que devias, não de agora mas de sempre, conseguir pensar mais em ti - e fazer o que te faz feliz a ti e não aos outros. Se por um lado o papel de irmã mais velha te assenta que nem uma luva, tal como uma 2.ª pele, por outro sei que teve e tem um custo, que se reflecte na pessoa que és, que te moldou a personalidade nem sempre para teu bem. Se não fosses a irmã mais velha terias tido uma adolescência tão feliz e despreocupada quanto foi a da Andreia; terias tido as oportunidades que eu tive de me focar nos meus gostos e interesses sem angústias de maior; terias tido uma infância livre e privilegiada como foi a do João. Nunca saberemos... o que temos como certo hoje é que, graças a tudo o que já foi, somos o que somos hoje.
Sei, sinto, que sou uma privilegiada por te ter nas nossas vidas e por isso quero que saibas, que também sintas, que te amamos muito tal como és, com defeitos e virtudes, com o coração sempre perto da boca, com uma generosidade como já não há e com uma dedicação e capacidade de entrega que nos mantém unidos neste lema que vivemos todos os dias "Um por todos e todos por um". Parabéns querida mana, que sejas para as tuas filhas uma referência e inspiração que és para mim/ para nós! Amo-te muito

1 comentário:

Sandra disse...

Obrigada maninha por tudo, mas principalmente, por respeitares tanto as palavras sem te privares de as usar.
Há 38 anos que amo a Andreia, tal e qual como ela é, do lado A e do lado B. Há 35 que te amo a ti, tal e qual como tu és, das direitas e do avesso e há 30 que amo o João, foi paixão à primeira vista. Vieram outros amores que ocupam outros lugares. Mas o vosso, esse é intransmissível e insubstituível. Esse lugar é de cada um dos três, cada um à sua maneira, na mesma medida.
Agradeço a Deus por ter permitido tal privilégio na minha vida, mesmo sendo tão imperfeita.
Amo-te mais ainda, iris dos meus olhos!

P.s.: Há muita gente a escrever livros com menos de metade do teu jeito com as palavras. Tens esse dom! Aproveita-o! Escreve um livro, não para faturar com a venda, fá-lo para ti e por ti. As tuas palavras têm vida, usa-as em papel também, por favor!