Porque é preciso haver quem faça

Esta semana iniciei, oficialmente, funções enquanto Presidente da Associação de Pais da escola das minhas filhas. No 1.º ano assisti às reuniões de Assembleia Geral, no seguinte fiquei como secretária do Conselho Fiscal e este ano aceitei o desafio de substituir a Presidente que esteve em funções vários anos seguidos e que acabou por conseguir contagiar-me com a vontade de fazer mais e melhor pela escola pública, pela escola que as nossas filhas frequentam. É aquela teoria, que aliás já aqui falei sobre isso, de que podemos não conseguir mudar o mundo mas podemos, pelo menos tentar fazer sempre mais e melhor, sobretudo quando se trata da vida e do crescimento dos filhos. E dito, ou escrito, assim na teoria é muito bonito, soa bem e reconforta a consciência cívica de uma pessoa, mas na prática dá um trabalho e uma canseira que só mesmo experimentando para saber! É voluntariado gratuito, que implica tempo, dedicação, trabalho e uma dose de paciência gigante. Não posso dizer que fui ao engano porque mentiria. Todas as amigas professoras me aconselharam a fazer parte da associação de pais, para me envolver no que pudesse para estar a par da realidade da escola, mas quando lhes disse que ia ficar como presidente o discurso mudou logo. As amigas não professoras então chamaram-me louca! Assumir responsabilidade e acima de tudo dar a cara tem um preço e espera-se que fique sempre para os outros. A questão é que os "outros" não são pessoas diferentes de mim. O "outros" tem de calhar a alguém... Todos temos vidas profissionais e pessoais que é preciso gerir, todos temos filhos pequenos (a frequentar o JI e/ou 1.º ciclo) e por isso a todos sobra pouco tempo para outras coisas, sobra menos ainda paciência. É preciso ter de facto muita vontade, ter muita capacidade de encaixe e muita paciência. Quando se ouvem todas as partes, agrupamento, escola, empresa gestora das actividades, pais, são muitas as opiniões, diferentes os pontos de vista e objectivos. Gerir isso tudo não é fácil, já o sabia antes. Mas experimentar isso na pele é outra conversa. Estar numa associação implica falar por todos, ouvir todos, tentar chegar a todos, o que não é nada fácil porque agradar a todos, todos sabemos que é missão impossível. Mas como disse antes, não fui ao engano. Estava, e estou hoje mais ainda, consciente da responsabilidade que o cargo exige. Da dose de paciência também porque logo na apresentação tive uma amostra do que é preciso aturar neste tipo de posição... todos temos o direito, até o dever, de querer o melhor para os nossos filhos mas fazê-lo sem pensar nos outros, no conjunto, no todo... é puro egoísmo. Deixar uma reunião a meio de uma discussão e não ter a capacidade de ouvir... é só falta de educação. Foi sem dúvida um começo marcante, não pelas melhores razões, mas que só reforçou a minha determinação e entrega a este projecto. Darei a cara, a cabeça e os braços para o que for preciso porque em causa está a escola que as minhas filhas frequentam e irão frequentar nos próximos 5 anos. E 5 anos é muito tempo e é o tempo da infância delas, que quero que seja a melhor possível. Continuo a acreditar que escolhi a melhor escola possível. Continuo convicta que é uma boa escola, com pessoas capazes e com coração dentro. Continuo com a certeza que bom e mau há em todo o lado e que é em casa que a educação se dá. Continuo a esperar que na escola aprendam mas também brinquem, que aprendam a respeitar a diferença e os outros mas que seja, também pelo exemplo, que queiram sempre fazer mais e melhor.

Comentários

Sandra disse…
Sabes maninha, sem querer criar juízos de valor, mas há muitos pais que ainda não sabem que a educação é dada pelo exemplo que dão e não as palavras que lhes saem da boca e que ingenuamente pensão ser de grande valor. A grande maioria subestima a inteligência das crianças, estupidificam-nas achando que as estão a proteger. As crianças copiam os adultos!
Essa pessoa que virou costas a um problema global verá daqui a uns anos os seus filhos fazer o mesmo e irá acusar o sistema por os filhos serem assim. A ignorância, mesmo no meio de tanta informação, continua a ser o pior que temos no mundo!
Desculpa o entusiasmo, mas o tema toca-me particularmente, também sou mãe e tambémquero o melhor para os meus filhos E para os outros filhos porque também são crianças e merecem o melhor do mundo.
As crianças são quase sempre o reflexo do que têm em casa.
Eu ao contrario acho que nada nesta vida é em vão e por isso, Deus deu essa missão, não só porque tens formação pessoal e profissional para a ter, como também acho que vais, em Seu Nome, mudar, não o mundo mas a vida dessas pessoas.

Lembra-te sempre, as pessoas "diferentes" fazem de nós pessoas melhores, por isso precisamos delas!

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