Xoninha, eu? Não, nada mesmo

Na semana passada fiquei super atrapalhada porque no meio de uma brincadeira, numa reunião cheia de gente, não me lembrava do nome da esposa do meu colega e ele diz-me, com o ar mais sério deste mundo: "ela já não me é isso". O meu cérebro nem processou e continuei a insistir "opá diz lá como é que se chama a tua esposa!!!" E ele repete a resposta anterior e levanta a mão, agora sem aliança. Fiquei sem cor. Atrapalhada pelo silêncio geral que se fez sentir, surpresa pela novidade. Mais uma vez lá fiz de elefante numa loja de vidros... porque não estava nada à espera, apesar de nada saber da história deles, a não ser que casou 1 ano depois de mim (no ano em que entrei na agência) e que foi pai de uma menina no dia em que a minha Constança fez 1 ano. E mesmo não sabendo nada, fica a desilusão por mais um casamento falhado. No nosso grupo de amigos já são 4 os casos, o que faz com que os casados comecem a ser a minoria. Fica a manta de retalhos, a confusão das festas de anos com o pai, depois com a mãe, os convites enviados em duplicado ou em separado, para evitar susceptibilidades... mas hoje nem estou a pensar no "depois do divórcio", mas sim no "antes". 
O casamento não é para xoninhas, li hoje numa partilha no facebook e foi isso que me fez escrever este post. Por concordar com tudo, por ter a certeza, por experiência própria que já conta com quase 9 anos, de que o casamento não é MESMO para xoninhas. É preciso haver amor mas sobretudo tolerância e uma gigante dose de paciência. Não somos perfeitos, menos ainda quando vivemos em casal, sobretudo quando temos filhos. Os filhos, sendo o resultado da equação do amor, são também a variável que vem desestabilizar a forma de cálculo. Porque ser pais é algo que ambos desconhecemos, que nos torna pessoas diferentes, menos disponíveis, mais capazes mas muito mais cansadas. E com o cansaço, com as noites mal dormidas, com a falta de tempo a dois vai-se perdendo a paciência, a simpatia, a tolerância, a conversa simples e fluída, a simples partilha de "como foi o teu dia". Eu acredito que são fases, falo por experiência própria e depois de um ano duro, o mais duro da nossa história, tanto pela falta de tempo que o curso do Hugo impôs mas sobretudo pelo estado de saúde da Carlota que tantas noites de sono nos levou. Se me apeteceu gritar? Sim, apeteceu e gritei. Se chorei? Sim, e não foi pouco. Se foi fácil? Não, nada mesmo. Se me senti sozinha? Sim, tantas e tantas vezes. Se achei que não íamos conseguir? Sim, passou-me pela cabeça. Se sou xoninha ao ponto de desistir? Não, nada mesmo. 

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