O peso da idade

Sempre gostei, e continuo a gostar, de fazer anos. Pelo fecho de um, pelo começo de outro. Isso continua a fazer todo o sentido para mim. Mas o que começo a sentir agora, e que até aqui nem compreendia, é a angústia, a incapacidade de fazer o tempo desacelerar. No próximo ano faço 35 e o Hugo 40! São números redondos, que vamos querer festejar claro está, mas que nos deixam já num patamar de "adultos à séria". Não sei se consigo descrever o que sinto, mas parece que se deu um clique dentro da minha cabeça... começo a deixar de me sentir uma "miúda", com pinta de "miúda". A média de idades aqui da agência começa a ficar perigosamente abaixo da minha, quase todos sem filhos, todos muito jovens e com ar disso mesmo: jovens! Naquelas adivinhas de "que idade me dás" ou acertam na muche ou apostam sempre para cima, raramente para baixo... não que me sinta "velha", nada disso, mas a questão é que já pareço a idade que tenho (ou mais...), já começo a pensar  que quando a Constança tiver 10 anos, já estarei na linha dos 40, quando atingir a maioridade já estou à beira dos 50 e assim por diante, a roda da vida implacável, sempre a girar sem parar. De repente a minha filha mais velha já vai para o 1.º ano!? A minha filha mais nova troca de roupa com as amigas e tem uma vida social quase mais ativa do que a minha?! Engraçado que enquanto eram mais pequenas dava por mim a ansiar que a fase das fraldas acabasse, que começassem a andar, a comer sozinhas, a dormir a noite toda e de preferência nas suas próprias camas. Mas à medida que vão ganhando autonomia começo a sentir a vertigem do crescimento, a perceber que já "vivem" sem mim, que conseguem adormecer sozinhas, que têm opinião e fazem questão de se fazer ouvir, que têm medos e segredos e angústias, muitas perguntas e curiosidades e sonhos... um mundo nas suas cabeças que não é a minha e na qual não consigo entrar. E de repente tenho saudades do tempo em que lhes pegava ao colo e embalava até adormecerem num sono tranquilo. Tudo tão mais simples!!!! Ser mãe é sem dúvida o maior e mais maravilhoso desafio da minha vida e só desejo conseguir cumpri-lo da melhor forma possível, mas de preferência a um ritmo que consiga acompanhar.

Comentários

Paula José disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula José disse…
Querida Amiga,
Li o teu post e acredita...não estás velha! nem por dentro nem por fora! compreendo a tua preocupação, também a tenho e muito mais justificada...no ano em que a minha filha faz 4 anos eu completo 46! Essa preocupação é legítima mas...o meu lema é aproveitar ao máximo todas as fases das suas vidas e viver bem com isso, não ter problemas de consciência, saber que fazemos o melhor, ou pelo menos o que na altura achamos ser o melhor. Amar, amar muito...amar os filhos incondicionalmente, amar o marido como a ti própria (vejo no meu o meu maior amigo e confidente, um dos meus pilares), amar a família, os pais...nós somos porque eles também foram...e os irmãos são fundamentais, quando os temos achamos mesmo que são imprescindíveis. E claro, ter amigos, não importa que sejam muitos, mas que sejam verdadeiros, se forem muitos e verdadeiros, melhor! Sei que te revês nesta "descrição" por isso és a pessoa que demonstras ser, bem resolvida, feliz e amiga.
No outro dia quando li o teu post sobre a compra das calças, ri tanto...não precisas de nada "tchanan", tu própria já és "tchanan"! Acredita que não encontrares o teu nº naquela peça que tu a-m-a-s...é bem pior!!!! Tens vontade de esganar a vendedora que aos teus olhos parece anorética, deslambida, viciada em sushi!...procuro sempre vendedoras "cheinhas" na esperança que me compreendam :) Esse problema tu não tens!

Como acredito que terás um 3º filho
(uma Carminho...Caetana...Pilar...ou um Vicente...Salvador...Sebastião...)

Fica a dica,
Mulheres famosas que tiveram filhos após os 40 anos:
Brooke Shields mãe aos 45
Elle McPherson mãe aos 46
Julia Roberts mãe aos 42
Sheryl Crow mãe aos 48
Paula José mãe aos 42 :)

beijos,
Paula José (o email é do secretariado)
a caseira disse…
Ah só tu minha querida amiga para me perceberes e para me ajudares a "encaixar" esta minha fase de dúvidas existenciais que ultimamente têm surgido a uma velocidade incrível... obrigada mesmo!!! São desabafos que me passam pela cabeça mas que felizmente ainda não me tiram o sono ;)
Nota: estamos alinhadas em quase, quase tudo menos no 3.º filho, que apesar de adorar todos os nomes que referes (seria com certeza um desses o escolhido), à data de hoje não me imagino a aumentar a família!

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